out 30 2008

Como cobrir a sustentabilidade?

Publicado por admin às 16:09 Arquivado em: Sem categoria

Fátima Cardoso entrevista Adalberto Marcondes, editor da revista eletrônica Envolverde, que recebeu o Prêmio Destaque Rede Ethos de Jornalistas (Fonte: Instituto Ethos). 

Instituto Ethos: A Envolverde completou dez anos em 2008. O que mudou na cobertura dos temas relativos a responsabilidade social e sustentabilidade nesse tempo? 

Adalberto Marcondes: Começamos a trabalhar nos anos 1990, ainda com o conceito de jornalismo ambiental. Publicávamos temas relacionados à preservação do meio ambiente e à proteção dos ecossistemas e dos recursos naturais. Isso passou por uma evolução nestes últimos dez anos, quando foram incorporados conceitos mais amplos de sustentabilidade, nos quais meio ambiente é apenas uma parte da equação. Essa equação hoje tem três variáveis: a econômica, a social e a ambiental. A Envolverde incorporou as três variáveis da sustentabilidade de uma forma muito transversal em suas pautas. Não paramos de cobrir meio ambiente e passamos a cobrir sustentabilidade. Continuamos escrevendo sobre temas ambientais e sobre temas relacionados a educação, desenvolvimento humano e economia, só que com a transversalidade do olhar da sustentabilidade. 

IE: Como o jornalismo pode contribuir para o desenvolvimento sustentável? Por que os jornalistas deveriam pensar suas pautas a partir do olhar da sustentabilidade? 

AM: Acho que estamos vivendo aquilo que se define como sociedade da informação e do conhecimento, na qual a informação e o conhecimento têm valor. Vejo o jornalista como um profissional capaz de transitar nesse universo e fazer com que ele se torne compreensível para a sociedade. O jornalista tem hoje um papel muito mais relevante, no que se refere à estruturação de papéis na sociedade, do que jamais teve. No século 20, o jornalismo teve um papel importantíssimo para a consolidação da democracia nos principais países do mundo. As nações mais importantes têm hoje processos políticos democráticos estabilizados e é muito difícil imaginar que alguma dessas grandes democracias do mundo possa sofrer uma reversão. A partir daí, o jornalista e o jornalismo têm novos desafios. O desafio agora é o de mudar o paradigma do desenvolvimento, encarar desenvolvimento como um processo equilibrado, que pensa o presente e o futuro como partes da mesma equação. O futuro será conseqüência do que a gente faz no presente. O jornalista tem hoje o grande desafio – que eu acho maravilhoso – de olhar para o mundo de uma forma muito mais ampla, tendo não apenas o olhar no presente, mas também na dimensão da perenidade. 

IE: O Prêmio Ethos de Jornalismo foi criado para estimular a mídia a abordar mais profundamente os temas da responsabilidade social e da sustentabilidade. Acha que esse objetivo está sendo cumprido? 

AM: Acho que premiar e prestigiar pessoas que estão fazendo um trabalho coerente e conseqüente em relação à sustentabilidade é sempre uma forma de mostrar que elas estão no caminho certo. Até porque muitas vezes esses profissionais, ao longo de sua carreira, enfrentaram problemas para se manter nessa trajetória. Foram incompreendidos, tiveram problemas para defender pautas em suas redações, perseveraram e muitas vezes conseguiram conquistar espaços que, sem um esforço pessoal, não seria possível. O prêmio tem a característica de reconhecer um trabalho bem feito, um trabalho na direção correta, que precisa ser replicado cada vez mais.

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